segunda-feira, março 31, 2014

50 anos do golpe que afrontou o povo brasileiro


Há 50 anos atrás minha mãe mal conhecia meu pai, eu então, nem sonhava em nascer, porém o Brasil sofria balanços graves de uma intervenção militar em seu governo.

O mundo vivia uma disputa de socialismo versus capitalismo, era o auge da Guerra Fria, uma disputa de poder que durou mais de 40 anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial (1945). Aonde de um lado estava a União Soviética (URSS), com seu "socialismo autoritário" e do outro, os Estados Unidos, com todo o controle econômico.

Acaso dessa história ocorreu na década de 60, o presidente em posse, eleito indiretamente, já que ainda não exista democracia direta da população era Jânio Quadros, que renunciou após apenas sete meses no cargo, já eram intervenções militares falando mais alto. O vice de Jânio, João Goulart não estava no Brasil naquela época, pois viajava à China, então alocado o presidente da Câmara dos Deputados da época. 

Após o regresso de João Goulart, mais conhecido como Jango, os militares não deixaram que ele assumisse à presidência sem que antes houvesse um plebiscito, e o regime voltou sim ao presidencialismo e Jango assumiu a presidência da República em 1963.

Mas, a vida de Jango não foi nada fácil, pois ele tinha que enfrentar uma militarização que "comandava" o país pelas costas, apesar a "democracia indireta" que havia no Brasil.

No ano seguinte, Jango nacionalizou a refinaria de petróleo, além de autorizar a expropriação de terras, vinte quilômetros à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes, em um comício reunindo milhares de pessoas na Central do Brasil, no Rio e Janeiro. Porém, por Jango ser "filiado" ao regime de Cuba, sendo um tormento aos militares que o "vigiavam" no poder, e principalmente do mandante deste golpe, os EUA, que ainda estava em guerra contra URSS.

Os EUA vendo Cuba na sua frente levantando a bandeira do socialismo, seguindo China e URSS, e indagando de que a América Latina poderia ser tomada por esse regime, financiou exércitos e militares a exterminarem com qualquer regime comunista que poderia surgir.

Então, no dia 31 de março, apenas alguns dias que Jango havia nacionalizado e liberado o Brasil das divinas externas, os militares derrubou ao atual presidente, sendo substituído pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco, chefe do Estado-Maior do Exército, inciando a partir daí anos de militarização, confrontos internos, altas taxas de inflação e uma ditadura que estava longe de acabar.

Durante esses anos negros, todos eram proibido falar contra o governo e suas políticas públicas, pessoas eram rechaçadas a se trancar dentro de suas casas, e estudantes, professores e jornalistas que se depunham contra ao regime, eram torturados e mortos pelos agentes militares, que agrediu brutalmente, sem menos uma explicação sobre a prisão.

Os militares denominaram como a "Revolução de 1964", porém para àqueles que viveram e sofreram na pele a árduas regras daquele regime, era uma fria e cruel, Ditadura Militar, pois o povo não podiam se expressar, textos eram censurados, músicas apreendidas, pessoas mortas. O caos estava tomado pelo Brasil. Durante esse perídio Atos Complementares foram criados, um era o AI-4, que extinguira quaisquer partidos que não "servia" ao governo, havia apenas dois partidos, o ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), a população fez até um trocadilho com o autoritarismo de ambos os partidos.

"... um era o partido do "não", o MDB que era contra tudo que o regime militar e seus presidentes faziam, e o outro, era o partido do "sim senhor", a ARENA que aprovava tudo que o governo fazia".

Foram 21 anos de luta ferranha, onde apenas a burguesia e os militares gozavam das boa ventura que aquele regime trouxe. Mas, como eu havia dito, o pior ainda estava por vir, pois em 1968 foi criado o último e um dos mais cruéis aos atos, o AI-5,  decretado pelo marechal Costa e Silva. 

Esse era o ato mais cruel, pois decentralizava os direitos políticos, decretando sem burocracia ou direito de defesa do acusado, tendo sua prisão imediata, sem interferência judicial. Os direitos humanos dos cidadãos foram excluídos, e os individuais, eliminados. O terror estava marcado a partir daquele ano, e que se arrastaria por muitos marechais e generais ao longo de ditadura.

Mortes, torturas e prisões eram decretadas sem ao menos um 'porque' aparente, simplesmente porque eles queriam e mandavam no país, e o povo apenas deveria abaixar a cabeça e obedecer aos militares, todos eram vítimas de governantes calculistas e indiferentes, que pregam o poder militar até o fim de suas almas, e negavam a qualquer custo desaparecimentos e mortes ocorridos ao decorrer do golpe.

Crueldade e fatos insípidos viraram rotina no país, até a primeira metade da década de 80, onde o povo foi às ruas pela votação direta e a democracia de Estado, e como já diz o ditado popular "a voz do povo é a voz de Deus", os cidadãos pela primeira vez em mais de 20 anos tiveram voz, diante àquele regime árduo e prepotente, em 1984 o primeiro presidente não militar foi eleito após duas décadas, Tancredo Neves assumiu o poder em janeiro de 1985 a democracia regressava no Brasil, mas desta vez com poderes diretos, onde o povo tinha voz e direitos. 
A ditadura estava oficialmente exterminada do Brasil, a nação se tornou livre, os militares já não mandavam por aqui, suas vozes eram apenas atendidas nos quartéis e bases militares.

Hoje, 50 anos depois deste golpe que afrontou a liberdade do brasileiro ir e vir é um nobre orgulho ser democrático e poder escolher suas decisões e opiniões, sem que alguém o torture ou mate. Vivemos num mundo livre, como nossas próprias crenças e valores, e hoje mesmo havendo uma obrigação do governo aos cidadãos, nada é comparado o que foram os anos negros e sombrios da Ditadura Militar.

Valorizemos essa democracia conquistado à nós a 30 anos atrás, pois hoje somos livres do poder militar e de suas ações bárbaras complementares daqueles que apenas visavam o poder e o extermínio do convívio social da sociedade.

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