quarta-feira, outubro 03, 2012

20 anos do massacre, mas sem julgados


Este 2 de outubro de 2012, não será lembrado apenas como um simples 2 de outubro, terça-feira, mas sim como o vintenário da maior chacina, não só do Estado de São Paulo creio eu, mas do Brasil. Relaciono ao massacre do Carandiru.

Tudo não passava de uma briga entre os detentos no Pavilhão 9 na Casa de Detenção, na qual função da polícia era apenas apartar e acalmar os presos. Porém não foi isso que aconteceu.

Desde que a polícia se meteu a entrar no meio, liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que justificava acalmar a rebelião, a briga entre os presos, se transformou em uma grande chacina, com 111 mortes, que foram divulgados à imprensa pela Polícia Militar, mas há depoimentos de pessoas que estavam no local em que esse número era muito mais do que isso, todos os mortos eram presos, todos covardemente e nenhum dos policiais foram atingidos.

Dos policiais envolvidos somente Ubiratan foi punido, em 2006 o coronel foi condenado a mais 632 anos de  prisão, mas que não durou muito, pois no mesmo ano o próprio se candidatandou para deputado estadual por São Paulo. Mas nem a liberdade e nem a candidatura de Guimarães não durou muito, a candidatura pois o "líder do massacre" foi caçado antes mesmo de se eleger, e em setembro/ 2006 o coronel foi morto, alguém ligado à grupos de apoio dos direitos humanos, mas até então sem relação a chacina e ainda pichou o muro da sua casa com os dizeres "aqui se faz, aqui se paga".

Hoje o Carandiru foi desativado, em verdade desde 2007 e em seu lugar ao invés de bandidos, armas e rebeliões, situa-se educação, cultura e lazer, pois onde havia a Casa de Detenção encontra-se uma biblioteca (a Biblioteca São Paulo), duas ETECs e um belo parque, com quadras esportivas, pistas de cooper, espaço para piquenique, andar de bicicleta, skate, patins..., pessoas correndo felizes e absorvendo cada dia mais cultura e atividade em suas vidas, diferente de 20 anos atrás, onde naquele mesmo lugar só exista desgraça, tragédia e desumanidade.

Alguns muros e até algumas celas ainda encontra-se nos prédios que foram mantido desde a implosão do complexo do Carandiru, já que aquele era um prédio tombado e deve-se manter algo daquela construção, mesmo que o resto seja implodido, mas nada se compara ao clima leve e de aprendizado que lá se habita hoje.



Por hoje é só e até a próxima!
Patricia Visconti

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